
[Tradução minha]
O Deus único é a inefável e Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo
1. A Igreja professa a sua fé no Deus único, que é ao mesmo tempo Trindade Santíssima e inefável de Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. E a Igreja vive desta verdade, presente nos mais antigos Símbolos de Fé, e recordada nos nossos tempos por Paulo VI, por ocasião do 1.900º aniversário do martírio dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo (1968), no Símbolo que ele mesmo apresentou e que se conhece universalmente como “Credo do Povo de Deus”.
Apenas aquele que quis dar-se-nos a conhecer e que “habitando numa luz inacessível” (1 Tim 6, 16) é em Si mesmo por cima de todo o nome, de todas as coisas e de toda a inteligência criada… pode dar-nos o conhecimento justo e pleno de Si mesmo, revelando-se como Pai, Filho e Espírito Santo, a cuja eterna vida nós estamos chamados, pela sua graça, a participar, aqui em baixo na escuridão da fé e, depois da morte, na luz perpétua… (cf. Insegnamenti di Paolo VI, Vol. VI, 1968, págs. 302-303.).
2. Deus, que para nós é incompreensível, quis revelar-se a Si mesmo não só como único criador e Pai omnipotente, mas também como Pai, Filho e Espírito Santo. Nesta revelação a verdade sobre Deus, que é amor, se desvela na sua fonte essencial: Deus é amor na vida interior de uma una única divindade.
Este amor revela-se como uma inefável comunhão de Pessoas.
3. Este mistério – o mais profundo: o mistério da vida íntima do próprio Deus— foi-nos revelado por Jesus Cristo: “Aquele que está no seio do Pai, foi quem o deu a conhecer” (Jo 1, 18). De acordo com o Evangelho de S. Mateus, as últimas palavras, com que Jesus Cristo conclui a sua missão terrena depois da ressurreição, foram dirigidas aos Apóstolos: “Ide… e ensinais a todas as gentes, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19). Estas palavras inauguravam a missão da Igreja, indicando-lhe o seu compromisso fundamental e constitutivo. A primeira tarefa da Igreja é ensinar e baptizar – e baptizar quer dizer “submergir” (por isso se baptiza com água) — na vida trinitária de Deus.
Cristo encerra nestas últimas palavras tudo o que anteriormente tinha ensinado sobre Deus: sobre o Pai, sobre o Filho e sobre o Espírito Santo. Efectivamente, tinha anunciado desde o princípio a verdade sobre o Deus único, em conformidade com a tradição de Israel. À pergunta: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?”, Jesus tinha respondido: “O primeiro é: Escuta Israel: o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor” (Mc 12, 29). E ao mesmo tempo, Jesus tinha-se dirigido constantemente a Deus como “seu Pai“, ao ponto de assegurar: “Eu e o Pai somos uma só coisa” (Jo 10, 30). Do mesmo modo tinha revelado também o “Espírito da verdade, que procede do Pai” e que – assegurou – “eu vos enviarei de parte do Pai” (Jo 15, 26).
4. As palavras sobre o baptismo “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”, confiadas por Jesus aos Apóstolos ao concluir a sua missão terrena, têm um significado particular, porque consolidaram a verdade sobre a Santíssima Trindade, colocando-a na base da vida sacramental da Igreja. A vida de fé de todos os cristãos começa no baptismo, com a imersão no mistério do Deus vivo. Disso são prova as Cartas apostólicas, principalmente as de São Paulo. Entre as fórmulas trinitárias que elas contêm, a mais conhecida e constantemente utilizada na liturgia, é a que se encontra na segunda Carta aos Coríntios: “A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus (Pai) e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco” (2 Cor 13, 13). Encontramos outras na primeira Carta aos Coríntios; na Carta aos Efésios e também na primeira Carta de São Pedro, no início do primeiro capítulo (1 Pe 1, 1-2).
Como um reflexo, todo o desenvolvimento da vida de oração da Igreja assumiu uma consciência e um impulso trinitário: no Espírito, por Cristo, ao Pai.
5. Deste modo, a fé no Deus uno e trino entrou desde o princípio na Tradição da vida da Igreja e dos cristãos. Em consequência, toda a liturgia foi – e é – pela sua essência, trinitária, na medida em que é expressão da economia divina. É preciso destacar que a compreensão deste mistério supremo da Santíssima Trindade contribuiu para a fé na redenção, isto é, a fé na obra salvífica de Cristo. Ela manifesta a missão do Filho e do Espírito Santo que no seio da Trindade eterna procedem “do Pai”, revelando a “economia trinitária” presente na redenção e na santificação. A Trindade Santa anuncia-se, primeiramente, através da soteriologia, isto é, através do conhecimento da “economia da salvação”, que Cristo anuncia e realiza na sua missão messiânica. Deste conhecimento arranca o caminho para o conhecimento da Trindade “imanente”, do mistério da vida íntima de Deus
6. Neste sentido o Novo Testamento contém a plenitude da revelação trinitária. Deus, ao revelar-se em Jesus Cristo, por um lado revela quem é Deus para o homem e, por outro, descobre quem é Deus em Si mesmo, isto é, na sua vida íntima. A verdade “Deus é amor” (1 Jo 4, 16), expressa na primeira Carta de João, possui aqui o valor de pedra angular. Se por intermédio dela se descobre quem é Deus para o homem, então revela-se também (enquanto seja possível que a mente humana o capte e as nossas palavras o expressem), quem é Ele em Si mesmo. Ele é Unidade, isto é, Comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
7. O Antigo Testamento não revelou esta verdade de modo explícito, mas preparou-a, mostrando a Paternidade de Deus na Aliança com o Povo, manifestando a sua acção no mundo com a Sabedoria, a Palavra e o Espírito (Cf., por exemplo, Sab 7, 22-30; Prov 8, 22-30; Sal 32/33, 4-6; 147, 15; Is 55, 11; Sab 12, 1; Is 11, 2; Sir 48, 12). O Antigo Testamento consolidou principalmente, em primeiro lugar em Israel e depois fora dele, a verdade sobre o Deus único, o centro da religião monoteísta. Devemos concluir, portanto, que o Novo Testamento trouxe a plenitude da revelação sobre a Trindade Santa e que a verdade trinitária esteve desde o princípio na raiz da fé viva da comunidade cristã, através do baptismo e da liturgia. O mesmo acontecia com as regras da fé, com que nos encontramos abundantemente tanto nas Cartas apostólicas, como no testemunho do kerygma, da catequese e da oração da Igreja.
8. Uma questão à parte é a formação do dogma trinitário no contexto da defesa contras as heresias dos primeiros séculos. A verdade sobre Deus uno e trino é o mais profundo mistério de fé e também o mais difícil de compreender: apresentava-se, pois, a possibilidade de interpretações erradas, especialmente quando o cristianismo entrou em contacto com a cultura e a filosofia grega. Tratava-se de “inscrever” correctamente o mistério do Deus trino e uno “na terminologia do ’ser’”, isto é, de expressar de maneira precisa em linguagem filosófica da época os conceitos que definiam inequivocamente tanto a unidade como a trindade do Deus da nossa Revelação.
Isto aconteceu primeiramente nos dois grandes Concílios Ecuménicos de Niceia (325) e de Constantinopla (381). O fruto do magistério destes Concílios é o “Credo” niceno-constantinopolitano, com o qual, desde então, a Igreja expressa a sua fé no Deus uno e trino: Pai, Filho e Espírito Santo. Recordando o trabalho dos Concílios, é necessário referir alguns teólogos particularmente beneméritos, sobretudo entre os Padres da Igreja. No período pré-niceno referimos Tertuliano, Cipriano, Orígenes, Irineu, e no período niceno Atanásio e Efrén Sírio, no período anterior ao Concílio de Constantinopla recordamos Basílio Magno, Gregório Nacianceno e Gregório Niseno, Hilário e também Ambrósio, Agostinho, Leão Magno.
9. Do século V chega-nos o chamado Símbolo atanasiano, que começa com a palavra “Quicumque”, e que constitui uma espécie de comentário ao Símbolo niceno-constantinopolitano.
O “Credo do Povo de Deus” de Paulo VI confirma a fé da Igreja primitiva quando proclama: “Os vínculos mútuos que consituem eternamente as três Pessoas, que são cada uma um único e idêntico Ser divino, são a bem-aventurada vida íntima de Deus três vezes Santo, infinitamente mais além de tudo o que nós podemos conceber com medida humana (cf. D.-Sch. 804)” (Insegnamenti di Paolo VI, 1968, pág. 303): realmente, inefável e santíssima Trindade – único Deus!
Escolha do jornalista Sandro Magister.
1. A caridade na verdade, que Jesus Cristo testemunhou com a sua vida terrena e sobretudo com a sua morte e ressurreição, é a força propulsora principal para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira. [...]
3. [...] Sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo. O amor torna-se um invólucro vazio, que se pode encher arbitrariamente. É o risco fatal do amor numa cultura sem verdade; [...]Na verdade, a caridade reflecte a dimensão simultaneamente pessoal e pública da fé no Deus bíblico, que é conjuntamente «Agápe» e «Lógos»: Caridade e Verdade, Amor e Palavra.
4. [...] Um cristianismo de caridade sem verdade pode ser facilmente confundido com uma reserva de bons sentimentos, úteis para a convivência social mas marginais. Deste modo, deixaria de haver verdadeira e propriamente lugar para Deus no mundo. Sem a verdade, a caridade acaba confinada num âmbito restrito e carecido de relações; fica excluída dos projectos e processos de construção dum desenvolvimento humano de alcance universal, no diálogo entre o saber e a realização prática. [...]
28. Um dos aspectos mais evidentes do desenvolvimento actual é a importância do tema do respeito pela vida, que não pode ser de modo algum separado das questões relativas ao desenvolvimento dos povos. Trata-se de um aspecto que, nos últimos tempos, está a assumir uma relevância sempre maior, obrigando-nos a alargar os conceitos de pobreza e subdesenvolvimento às questões relacionadas com o acolhimento da vida, sobretudo onde o mesmo é de várias maneiras impedido.
Não só a situação de pobreza provoca ainda altas taxas de mortalidade infantil em muitas regiões, mas perduram também, em várias partes do mundo, práticas de controle demográfico por parte dos governos, que muitas vezes difundem a contracepção e chegam mesmo a impor o aborto. Nos países economicamente mais desenvolvidos, são muito difusas as legislações contrárias à vida, condicionando já o costume e a práxis e contribuindo para divulgar uma mentalidade antinatalista que muitas vezes se procura transmitir a outros Estados como se fosse um progresso cultural.
Também algumas organizações não governamentais trabalham activamente pela difusão do aborto, promovendo nos países pobres a adopção da prática da esterilização, mesmo sem as mulheres o saberem. Além disso, há a fundada suspeita de que às vezes as próprias ajudas ao desenvolvimento sejam associadas com determinadas políticas sanitárias que realmente implicam a imposição de um forte controle dos nascimentos. Igualmente preocupantes são as legislações que prevêem a eutanásia e as pressões de grupos nacionais e internacionais que reivindicam o seu reconhecimento jurídico.[...]
29. Outro aspecto da vida actual, intimamente relacionado com o desenvolvimento, é a negação do direito à liberdade religiosa. Não me refiro só às lutas e conflitos que ainda se disputam no mundo por motivações religiosas, embora estas às vezes sejam apenas a cobertura para razões de outro género, tais como a sede de domínio e de riqueza. Na realidade, com frequência hoje se faz apelo ao santo nome de Deus para matar, como diversas vezes foi sublinhado e deplorado publicamente pelo meu predecessor João Paulo II e por mim próprio. As violências refreiam o desenvolvimento autêntico e impedem a evolução dos povos para um bem-estar sócio-económico e espiritual maior. Isto aplica-se de modo especial ao terrorismo de índole fundamentalista que gera sofrimento, devastação e morte, bloqueia o diálogo entre as nações e desvia grandes recursos do seu uso pacífico e civil. Mas há que acrescentar que, se o fanatismo religioso impede em alguns contextos o exercício do direito de liberdade de religião, também a promoção programada da indiferença religiosa ou do ateísmo prático por parte de muitos países contrasta com as necessidades do desenvolvimento dos povos, subtraindo-lhes recursos espirituais e humanos. Deus é o garante do verdadeiro desenvolvimento do homem, já que, tendo-o criado à sua imagem, fundamenta de igual forma a sua dignidade transcendente e alimenta o seu anseio constitutivo de «ser mais». [...]
34. A caridade na verdade coloca o homem perante a admirável experiência do dom. [...] Por vezes o homem moderno convence-se, erroneamente, de que é o único autor de si mesmo, da sua vida e da sociedade. Trata-se de uma presunção, resultante do encerramento egoísta em si mesmo, que provém — se queremos exprimi-lo em termos de fé — do pecado das origens. [...] a convicção de ser auto-suficiente e de conseguir eliminar o mal presente na história apenas com a própria acção induziu o homem a identificar a felicidade e a salvação com formas imanentes de bem-estar material e de acção social. Depois, a convicção da exigência de autonomia para a economia, que não deve aceitar « influências » de carácter moral, impeliu o homem a abusar dos instrumentos económicos até mesmo de forma destrutiva. Com o passar do tempo, estas convicções levaram a sistemas económicos, sociais e políticos que espezinharam a liberdade da pessoa e dos corpos sociais e, por isso mesmo, não foram capazes de assegurar a justiça que prometiam. Deste modo, como afirmei na encíclica Spe salvi, elimina-se da história a esperança cristã, a qual, ao invés, constitui um poderoso recurso social ao serviço do desenvolvimento humano integral, procurado na liberdade e na justiça. A esperança encoraja a razão e dá-lhe a força para orientar a vontade. Já está presente na fé, pela qual aliás é suscitada. Dela se nutre a caridade na verdade e, ao mesmo tempo, manifesta-a. Sendo dom de Deus absolutamente gratuito, irrompe na nossa vida como algo não devido, que transcende qualquer norma de justiça. Por sua natureza, o dom ultrapassa o mérito; a sua regra é a excedência. Aquele precede-nos, na nossa própria alma, como sinal da presença de Deus em nós e das suas expectativas a nosso respeito. A verdade, que é dom tal como a caridade, é maior do que nós, conforme ensina Santo Agostinho [...]
35. O mercado, se houver confiança recíproca e generalizada, é a instituição económica que permite o encontro entre as pessoas, na sua dimensão de operadores económicos que usam o contrato como regra das suas relações e que trocam bens e serviços entre si fungíveis, para satisfazer as suas carências e desejos. O mercado está sujeito aos princípios da chamada justiça comutativa, que regula precisamente as relações do dar e receber entre sujeitos iguais. Mas a doutrina social nunca deixou de pôr em evidência a importância que tem a justiça distributiva e a justiça social para a própria economia de mercado, não só porque integrada nas malhas de um contexto social e político mais vasto, mas também pela teia das relações em que se realiza. De facto, deixado unicamente ao princípio da equivalência de valor dos bens trocados, o mercado não consegue gerar a coesão social de que necessita para bem funcionar. Sem formas internas de solidariedade e de confiança recíproca, o mercado não pode cumprir plenamente a própria função económica. E, hoje, foi precisamente esta confiança que veio a faltar; e a perda da confiança é uma perda grave.
Na Populorum progressio, Paulo VI sublinhava oportunamente o facto de que seria o próprio sistema económico a tirar vantagem da prática generalizada da justiça, uma vez que os primeiros a beneficiar do desenvolvimento dos países pobres teriam sido os países ricos. Não se tratava apenas de corrigir disfunções, através da assistência. Os pobres não devem ser considerados um «fardo» mas um recurso, mesmo do ponto de vista estritamente económico. Há que considerar errada a visão de quantos pensam que a economia de mercado tenha estruturalmente necessidade duma certa quota de pobreza e subdesenvolvimento para poder funcionar do melhor modo. O mercado tem interesse em promover emancipação, mas, para o fazer verdadeiramente, não pode contar apenas consigo mesmo, porque não é capaz de produzir por si aquilo que está para além das suas possibilidades; tem de haurir energias morais de outros sujeitos, que sejam capazes de as gerar.
36. [...] Desde sempre a Igreja defende que não se há-de considerar o agir económico como anti-social. De per si o mercado não é, nem se deve tornar, o lugar da prepotência do forte sobre o débil. A sociedade não tem que se proteger do mercado, como se o desenvolvimento deste implicasse ipso facto a morte das relações autenticamente humanas. É verdade que o mercado pode ser orientado de modo negativo, não porque isso esteja na sua natureza, mas porque uma certa ideologia pode dirigi-lo em tal sentido. Não se deve esquecer que o mercado, em estado puro, não existe; mas toma forma a partir das configurações culturais que o especificam e orientam. Com efeito, a economia e as finanças, enquanto instrumentos, podem ser mal utilizadas se quem as gere tiver apenas referimentos egoístas. Deste modo é possível conseguir transformar instrumentos de per si bons em instrumentos danosos; mas é a razão obscurecida do homem que produz estas consequências, não o instrumento por si mesmo. Por isso, não é o instrumento que deve ser chamado em causa, mas o homem, a sua consciência moral e a sua responsabilidade pessoal e social.
A doutrina social da Igreja considera possível viver relações autenticamente humanas de amizade e camaradagem, de solidariedade e reciprocidade, mesmo no âmbito da actividade económica e não apenas fora dela ou « depois » dela. A área económica não é nem eticamente neutra nem de natureza desumana e anti-social. Pertence à actividade do homem; e, precisamente porque humana, deve ser eticamente estruturada e institucionalizada.
O grande desafio que temos diante de nós — resultante das problemáticas do desenvolvimento neste tempo de globalização, mas revestindo-se de maior exigência com a crise económico-financeira — é mostrar, a nível tanto de pensamento como de comportamentos, que não só não podem ser transcurados ou atenuados os princípios tradicionais da ética social, como a transparência, a honestidade e a responsabilidade, mas também que, nas relações comerciais, o princípio de gratuidade e a lógica do dom como expressão da fraternidade podem e devem encontrar lugar dentro da actividade económica normal. Isto é uma exigência do homem no tempo actual, mas também da própria razão económica. Trata-se de uma exigência simultaneamente da caridade e da verdade. [...]
42. [...] «a globalização a priori não é boa nem má. Será aquilo que as pessoas fizerem dela». [...] Adequadamente concebidos e geridos, os processos de globalização oferecem a possibilidade duma grande redistribuição da riqueza a nível mundial, como antes nunca tinha acontecido; se mal geridos, podem, pelo contrário, fazer crescer pobreza e desigualdade, bem como contagiar com uma crise o mundo inteiro. [...]
43. [...] Assiste-se hoje a uma grave contradição: enquanto, por um lado, se reivindicam presuntos direitos, de carácter arbitrário e libertino, querendo vê-los reconhecidos e promovidos pelas estruturas públicas, por outro existem direitos elementares e fundamentais violados e negados a boa parte da humanidade. Aparece com frequência assinalada uma relação entre a reivindicação do direito ao supérfluo, senão mesmo à transgressão e ao vício, nas sociedades opulentes e a falta de alimento, água potável, instrução básica, cuidados sanitários elementares em certas regiões do mundo do subdesenvolvimento e também nas periferias de grandes metrópoles. A relação está no facto de que os direitos individuais, desvinculados de um quadro de deveres que lhes confira um sentido completo, enlouquecem e alimentam uma espiral de exigências praticamente ilimitada e sem critérios. A exasperação dos direitos desemboca no esquecimento dos deveres.[...]
44. [...] Considerar o aumento da população como a primeira causa do subdesenvolvimento é errado, inclusive do ponto de vista económico: basta pensar, por um lado, na considerável diminuição da mortalidade infantil e no alongamento médio da vida que se regista nos países economicamente desenvolvidos, e, por outro, nos sinais de crise que se observam nas sociedades onde se regista uma preocupante queda da natalidade. Obviamente é forçoso prestar a devida atenção a uma procriação responsável, que constitui, para além do mais, uma real contribuição para o desenvolvimento integral. A Igreja, que tem a peito o verdadeiro desenvolvimento do homem, recomenda-lhe o respeito dos valores humanos também no uso da sexualidade: o mesmo não pode ser reduzido a um mero facto hedonista e lúdico, do mesmo modo que a educação sexual não se pode limitar à instrução técnica, tendo como única preocupação defender os interessados de eventuais contágios ou do «risco» procriador. [...]
A abertura moralmente responsável à vida é uma riqueza social e económica. Grandes nações puderam sair da miséria, justamente graças ao grande número e às capacidades dos seus habitantes. Pelo contrário, nações outrora prósperas atravessam agora uma fase de incerteza e, em alguns casos, de declínio precisamente por causa da diminuição da natalidade, problema crucial para as sociedades de proeminente bem-estar. A diminuição dos nascimentos, situando-se por vezes abaixo do chamado « índice de substituição », põe em crise também os sistemas de assistência social, aumenta os seus custos, contrai a acumulação de poupanças e, consequentemente, os recursos financeiros necessários para os investimentos, reduz a disponibilização de trabalhadores qualificados, restringe a reserva aonde ir buscar os « cérebros » para as necessidades da nação. Além disso, as famílias de pequena e, às vezes, pequeníssima dimensão correm o risco de empobrecer as relações sociais e de não garantir formas eficazes de solidariedade. São situações que apresentam sintomas de escassa confiança no futuro e de cansaço moral. Deste modo, torna-se uma necessidade social, e mesmo económica, continuar a propor às novas gerações a beleza da família e do matrimónio, a correspondência de tais instituições às exigências mais profundas do coração e da dignidade da pessoa. Nesta perspectiva, os Estados são chamados a instaurar políticas que promovam a centralidade e a integridade da família, fundada no matrimónio entre um homem e uma mulher, célula primeira e vital da sociedade. [...]
45. [...] Hoje fala-se muito de ética em campo económico, financeiro, empresarial. Nascem centros de estudo e percursos formativos de negócios éticos; difunde-se no mundo desenvolvido o sistema das certificações éticas, na esteira do movimento de ideias nascido à volta da responsabilidade social da empresa. Os bancos propõem contas e fundos de investimento chamados «éticos». Desenvolvem-se as «finanças éticas», sobretudo através do micro-crédito e, mais em geral, de micro-financiamentos. Tais processos suscitam apreço e merecem amplo apoio. Os seus efeitos positivos fazem-se sentir também nas áreas menos desenvolvidas da terra. Todavia, é bom formar também um válido critério de discernimento, porque se nota um certo abuso do adjectivo «ético», o qual, se usado vagamente, presta-se a designar conteúdos muito diversos, chegando-se a fazer passar à sua sombra decisões e opções contrárias à justiça e ao verdadeiro bem do homem. Com efeito, muito depende do sistema moral em que se baseia. Sobre este argumento, a doutrina social da Igreja tem um contributo próprio e específico para dar, que se funda na criação do homem «à imagem de Deus» (Gn 1, 27), um dado do qual deriva a dignidade inviolável da pessoa humana e também o valor transcendente das normas morais naturais. Uma ética económica que prescinda destes dois pilares arrisca-se inevitavelmente a perder o seu cunho específico e a prestar-se a instrumentalizações; mais concretamente, arrisca-se a aparecer em função dos sistemas económico-financeiros existentes, em vez de servir de correcção às disfunções dos mesmos. Além do mais, acabaria até por justificar o financiamento de projectos que não são éticos.. [...]
56. A religião cristã e as outras religiões só podem dar o seu contributo para o desenvolvimento, se Deus encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, económica e particularmente política. A doutrina social da Igreja nasceu para reivindicar este « estatuto de cidadania » da religião cristã. [...] A razão tem sempre necessidade de ser purificada pela fé; e isto vale também para a razão política, que não se deve crer omnipotente. A religião, por sua vez, precisa sempre de ser purificada pela razão, para mostrar o seu autêntico rosto humano. A ruptura deste diálogo implica um custo muito gravoso para o desenvolvimento da humanidade.
57. O diálogo fecundo entre fé e razão não pode deixar de tornar mais eficaz a acção da caridade na sociedade, e constitui o quadro mais apropriado para incentivar a colaboração fraterna entre crentes e não crentes na perspectiva comum de trabalhar pela justiça e a paz da humanidade. [...]
67. Perante o crescimento incessante da interdependência mundial, sente-se imenso — mesmo no meio de uma recessão igualmente mundial — a urgência de uma reforma quer da Organização das Nações Unidas quer da arquitectura económica e financeira internacional. [...] urge a presença de uma verdadeira Autoridade política mundial, delineada já pelo meu predecessor, o Beato João XXIII. A referida Autoridade deverá regular-se pelo direito, ater-se coerentemente aos princípios de subsidiariedade e solidariedade, estar orientada para a consecução do bem comum, comprometer-se na realização de um autêntico desenvolvimento humano integral inspirado nos valores da caridade na verdade. Além disso, uma tal Autoridade deverá ser reconhecida por todos, gozar de poder efectivo para garantir a cada um a segurança, a observância da justiça, o respeito dos direitos. Obviamente, deve gozar da faculdade de fazer com que as partes respeitem as próprias decisões, bem como as medidas coordenadas e adoptadas nos diversos fóruns internacionais. É que, se isso faltasse, o direito internacional, não obstante os grandes progressos realizados nos vários campos, correria o risco de ser condicionado pelos equilíbrios de poder entre os mais fortes. O desenvolvimento integral dos povos e a colaboração internacional exigem que seja instituído um grau superior de ordenamento internacional de tipo subsidiário para o governo da globalização [...]
75. [...] preciso afirmar que hoje a questão social tornou-se radicalmente antropológica, enquanto toca o próprio modo não só de conceber mas também de manipular a vida, colocada cada vez mais nas mãos do homem pelas biotecnologias. A fecundação in vitro, a pesquisa sobre os embriões, a possibilidade da clonagem e hibridação humana nascem e promovem-se na actual cultura do desencanto total, que pensa ter desvendado todos os mistérios porque já se chegou à raiz da vida. Aqui o absolutismo da técnica encontra a sua máxima expressão. Em tal cultura, a consciência é chamada apenas a registar uma mera possibilidade técnica. Contudo não se pode minimizar os cenários inquietantes para o futuro do homem e os novos e poderosos instrumentos que a « cultura da morte » tem à sua disposição. À difusa e trágica chaga do aborto poder-se-ia juntar no futuro — embora sub-repticiamente já esteja presente in nuce — uma sistemática planificação eugenética dos nascimentos. No extremo oposto, vai abrindo caminho uma mens eutanasica, manifestação não menos abusiva de domínio sobre a vida, que é considerada, em certas condições, como não digna de ser vivida. Por detrás destes cenários encontram-se posições culturais negacionistas da dignidade humana. Por sua vez, estas práticas estão destinadas a alimentar uma concepção material e mecanicista da vida humana. Quem poderá medir os efeitos negativos de tal mentalidade sobre o desenvolvimento? Como poderá alguém maravilhar-se com a indiferença diante de situações humanas de degradação, quando se comporta indiferentemente com o que é humano e com aquilo que não o é? Maravilha a selecção arbitrária do que hoje é proposto como digno de respeito: muitos, prontos a escandalizar-se por coisas marginais, parecem tolerar injustiças inauditas. Enquanto os pobres do mundo batem às portas da opulência, o mundo rico corre o risco de deixar de ouvir tais apelos à sua porta por causa de uma consciência já incapaz de reconhecer o humano. Deus revela o homem ao homem; a razão e a fé colaboram para lhe mostrar o bem, desde que o queira ver; a lei natural, na qual reluz a Razão criadora, indica a grandeza do homem, mas também a sua miséria quando ele desconhece o apelo da verdade moral. [...]
79. O desenvolvimento tem necessidade de cristãos com os braços levantados para Deus em atitude de oração, cristãos movidos pela consciência de que o amor cheio de verdade — caritas in veritate –, do qual procede o desenvolvimento autêntico, não o produzimos nós, mas é-nos dado. Por isso, inclusive nos momentos mais difíceis e complexos, além de reagir conscientemente devemos sobretudo referir-nos ao seu amor. O desenvolvimento implica atenção à vida espiritual, uma séria consideração das experiências de confiança em Deus, de fraternidade espiritual em Cristo, de entrega à providência e à misericórdia divina, de amor e de perdão, de renúncia a si mesmos, de acolhimento do próximo, de justiça e de paz. Tudo isto é indispensável para transformar os « corações de pedra » em « corações de carne » (Ez 36, 26), para tornar « divina » e consequentemente mais digna do homem a vida sobre a terra. Tudo isto é do homem, porque o homem é sujeito da própria existência; e ao mesmo tempo é de Deus, porque Deus está no princípio e no fim de tudo aquilo que tem valor e redime: « quer o mundo, quer a vida, quer a morte, quer o presente, quer o futuro, tudo é vosso; mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus » (1 Cor 3, 22-23). A ânsia do cristão é que toda a família humana possa invocar a Deus como o « Pai nosso ». Juntamente com o Filho unigénito, possam todos os homens aprender a rezar ao Pai e a pedir-Lhe, com as palavras que o próprio Jesus nos ensinou, para sabê-Lo santificar vivendo segundo a sua vontade, e depois ter o pão necessário para cada dia, a compreensão e a generosidade com quem nos ofendeu, não ser postos à prova além das suas forças e ver-se livres do mal (cf. Mt 6, 9-13). [...]
Já foi publicada a nova Encíclica de Bento XVI, Caritas in Veritate.
Quem quiser uma versão para imprimir, deixo aqui a minha: Caritas in Veritate.
É uma breve carta dirigida escrita a um tal Diogneto que teria perguntado sobre aspectos das crenças e modo de vida dos cristãos: “Qual é esse Deus em quem tanto confiam; (…) qual é esse amor que se têm uns aos outros, e porquê esta raça ou modo de vida surgiu agora e não antes…” (Cap. 1).
O autor deste breve tratado é desconhecido. Terá sido escrito no final do séc. II, e responde a estas questões num tom de exortação espiritual e de formação. Literariamente é uma das obras mais belas da literatura apologética
Destacamos apenas uma parte, onde fala sobre o modo de vida dos cristãos e como esse modo de vida desperta a perplexidade de toda a sociedade de então.
Nos dias em que vivemos, este documento retoma toda a força e nos desperta para a necessidade de que todos possam reconhecer este modo de vida especificamente cristão naqueles que dizemos seguir Jesus.
Os cristãos não se distinguem dos demais homens, nem pela terra, nem pela língua, nem pelos costumes. Nem, em parte alguma, habitam cidades peculiares, nem usam alguma língua distinta, nem vivem uma vida de natureza singular. Nem uma doutrina desta natureza deve a sua descoberta à invenção ou conjectura de homens de espírito irrequieto, nem defendem, como alguns, uma doutrina humana. Habitando cidades Gregas e Bárbaras, conforme coube em sorte a cada um, e seguindo os usos e costumes das regiões, no vestuário, no regime alimentar e no resto da vida, revelam unanimemente uma maravilhosa e paradoxal constituição no seu regime de vida político-social.
Habitam pátrias próprias, mas como peregrinos: participam de tudo, como cidadãos, e tudo sofrem como estrangeiros. Toda a terra estrangeira é para eles uma pátria e toda a pátria uma terra estrangeira. Casam como todos e geram filhos, mas não abandonam à violência os neonatos. Servem-se da mesma mesa, mas não do mesmo leito. Encontram-se na carne, mas não vivem segundo a carne. Moram na terra e são regidos pelo céu. Obedecem às leis estabelecidas e superam as leis com as próprias vidas.
Amam todos e por todos são perseguidos.
Não são reconhecidos, mas são condenados à morte; são condenados à morte e ganham a vida.
São pobres, mas enriquecem muita gente; de tudo carecem, mas em tudo abundam.
São desonrados, e nas desonras são glorificados; injuriados, são também justificados.
Insultados, bendizem; ultrajados, prestam as devidas honras.
Fazendo o bem, são punidos como maus; fustigados, alegram-se, como se recebessem a vida.
São hostilizados pelos Judeus como estrangeiros; são perseguidos pelos Gregos,
e os que os odeiam não sabem dizer a causa do ódio.Numa palavra, o que a alma é no corpo, isso são os cristãos no mundo.
Este documento foi editado pela Editora Alcalá.

“Sus nombres están impresos en forma indeleble en la memoria de Dios”
por Benedicto XVI
“Dentro de mi casa y dentro de mis muros les entregaré un monumento y un nombre… les daré un nombre eterno que jamás se borrará” (Isaías 56, 5).
Este pasaje, extraído del libro del profeta Isaías, ofrece las dos simples palabras que expresan en forma solemne el significado profundo de este lugar venerado: “yad”, memorial, “shem”, nombre. He llegado hasta aquí para detenerme en silencio frente a este monumento, erigido para honrar la memoria de millones de judíos asesinados en la horrenda tragedia de la Shoah. Ellos perdieron su vida, pero jamás perderán sus nombres: éstos están impresos en forma permanente en los corazones de sus seres queridos, de sus compañeros de prisión y de cuantos han decidido no permitir jamás que un horror semejante pueda deshonrar de nuevo a la humanidad. Sus nombres, en particular y sobre todo, están impresos en forma indeleble en la memoria de Dios Todopoderoso.
Se puede despojar al vecino de sus posesiones, de las ocasiones favorables o de la libertad. Se puede entramar una insidiosa red de mentiras para convencer a otros que ciertos grupos no merecen respeto. Y sin embargo, por más esfuerzos que se hagan, jamás se puede extirpar el nombre de otro ser humano.
La Sagrada Escritura nos enseña la importancia de los nombres cuando se confía a alguien una misión única o un don especial. A Abram Dios lo llamó “Abraham”, porque debía convertirse en el “padre de muchos pueblos” (Génesis 17, 5). Jacob fue llamado “Israel” porque había “combatido con Dios y con los hombres y había triunfado” (cfr. Génesis 32, 29). Los nombres conservados en este venerado monumento tendrán para siempre un puesto sagrado entre los innumerables descendientes de Abraham.
Como pasó con Abraham, también su fe fue probada. Como pasó con Jacob, también ellos fueron sumergidos en la lucha entre el bien y el mal, mientras luchaban para discernir los designios del Todopoderoso. ¡Que los nombres de estas víctimas no perezcan jamás! ¡Que sus sufrimientos jamás sean negados, menospreciados u olvidados! ¡Y que toda persona de buena voluntad pueda velar para erradicar del corazón del hombre cualquier cosa capaz de llevar a tragedias semejantes a ésta!
Comprometida con las enseñanzas de Jesús y dispuesta a imitar el amor para cada persona, la Iglesia Católica experimenta profunda compasión por las víctimas aquí recordadas. De la misma manera, ella se sitúa junto a cuantos hoy están sometidos a persecuciones a causa de su raza, color, condiciones de vida o religión: sus sufrimientos son los suyos y suya es su esperanza de justicia. Como obispo de Roma y sucesor del apóstol Pedro, destaco – al igual que mis predecesores – el deber de la Iglesia en rezar y en obrar sin cansarse, para asegurar que el odio no reine jamás en el corazón de los hombres. El Dios de Abraham, de Isaac y de Jacob es el Dios de la paz (cfr. Salmo 85, 9).
Las Escrituras enseñan que es nuestro deber recordar al mundo que este Dios vive, aunque a veces encontremos difícil comprender sus caminos misteriosos e inescrutables. Él se ha revelado a sí mismo y continúa obrando en la historia humana. Él solo gobierna el mundo con justicia y juzga con rectitud a cada pueblo (cfr. Salmo 9, 9).
Fijando la mirada en los rostros reflejados en el espejo de agua que se extiende silenciosamente en el interior de este memorial, no se puede hacer menos que recordar cómo cada uno de ellos lleva un nombre. Solamente puedo imaginar la alegre expectativa de sus padres, mientras esperaban con ansias el nacimiento de sus niños. ¿Qué nombre daremos este hijo? ¿Qué será de él o de ella? ¡Quién habría podido imaginar que habrían de ser condenados a un destino tan lamentable!
Mientras estamos aquí en silencio, su grito resuena todavía en nuestros corazones. Es un grito que se eleva contra todo acto de injusticia y de violencia. Es una condena perenne contra el derramamiento de sangre inocente. Es el grito de Abel que se eleva desde la tierra hacia el Todopoderoso. Al profesar nuestra confianza inquebrantable en Dios, damos voz a ese grito con las palabras de las Lamentaciones, tan cargadas de significado tanto para los judíos como para los cristianos:
“La misericordia del Señor no se extingue ni se agota su compasión; se renuevan cada mañana, grande es su fidelidad. Mi parte es el Señor – yo exclamo –, por eso en él espero. Bueno es el Señor con quien espera en él, con aquél que lo busca. Es bueno esperar en silencio la salvación del Señor” (3, 22-26).
Queridos amigos, estoy profundamente agradecido a Dios y les agradezco a ustedes por la oportunidad que me ha sido dada de permanecer aquí en silencio: un silencio para recordar, un silencio para esperar.
«O mandamento do serviço e do lava-pés recíproco converte-se (…) na lei de vida da comunidade messiânica, onde não existe autoridade senão como expressão de agape e diaconía.»
Confrontar com Mc 10, 42-45, Lc 22, 24-28, Mc 9, 33-37
«O próprio Jesus se apresenta como “servo”(doûlos) e como “aquele que serve”(diáconos), convidando os discípulos a seguir o seu exemplo. (…) a comunidade cristã pós-pascal descreverá com o termo diaconía a sua vida e missão, as suas funções e ministérios específicos.»
Confrontar com Jo 12, 26.
Fonte: Coda, Piero, El Agape como gracia y libertad, Editorial Ciudad Nueva; [Tradução nossa].
«O mandamento do serviço e do lava-pés recíproco converte-se (…) na lei de vida da comunidade messiânica, onde não existe autoridade senão como expressão de agape e diaconía.»